Ex-deputado Uldurico Júnior é Preso por Suspeita de Facilitar Fuga de Presos por R$ 2 Milhões na Bahia

O cenário político baiano foi abalado nesta quinta-feira (16) com a prisão do ex-deputado federal e ex-candidato a prefeito de Teixeira de Freitas, Uldurico Júnior. Investigado por suposto envolvimento com facções criminosas, ele foi detido em um hotel na Praia do Forte, distrito turístico de Mata de São João, na Região Metropolitana de Salvador. As acusações que pesam contra Uldurico Júnior são de extrema gravidade, apontando para sua participação em um esquema milionário para facilitar a fuga de detentos de um presídio no estado.

Detalhes da Operação “Duas Rosas” e as Acusações

Segundo informações do Ministério Público da Bahia (MP-BA), as investigações da operação, batizada de “Duas Rosas”, revelaram que Uldurico Júnior teria negociado com uma organização criminosa o recebimento de R$ 2 milhões. O objetivo seria orquestrar a fuga de 16 internos do Conjunto Penal de Eunápolis, evento que se concretizou em dezembro do ano anterior. O nome da operação faz alusão à cifra da vantagem indevida, pois, durante as apurações, verificou-se que a palavra “rosa” era utilizada como código para se referir a dinheiro em diálogos e tratativas interceptadas, com expressões como “as rosas” ou “quando as rosas vão chorar”.

Entre os foragidos de alta periculosidade está Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como “Dadá”, apontado como líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), uma facção com forte atuação regional e vínculos com o Comando Vermelho. O MP-BA indica que Dada, mesmo após a fuga, continuaria comandando ações criminosas na região de Eunápolis, operando a partir do Rio de Janeiro. A natureza da evasão dos presos é descrita pelas autoridades como parte de uma articulação criminosa bem estruturada, que envolveu integrantes do PCE e a influência política e institucional do ex-parlamentar.

Paralelamente à prisão de Uldurico Júnior, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Salvador, Camaçari, Teixeira de Freitas, Eunápolis e Porto Seguro. As ações foram direcionadas a um ex-vereador de Eunápolis e a um advogado, cujos nomes não foram divulgados pelas autoridades. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal de Eunápolis, reforçando a amplitude da investigação sobre a rede de apoio à organização criminosa.

Conexões com a Ex-Diretora do Presídio de Eunápolis

A trama se adensa com a revelação de um complexo relacionamento envolvendo Uldurico Júnior e Joneuma Silva Neres, ex-diretora do presídio de Eunápolis, acusada de facilitar a fuga dos detentos. As investigações sugerem que Joneuma mantinha um relacionamento com Ednaldo Pereira de Souza, o “Dadá”, enquanto ele estava sob custódia. Denúncias detalham que a ex-diretora teria iniciado um trabalho político em prol da organização criminosa, chegando a organizar encontros entre Dada e Uldurico Júnior, na época candidato a prefeito.

Uldurico Júnior é apontado como padrinho político de Joneuma, tendo supostamente a indicado para o cargo de diretora da unidade prisional. Um elemento adicional à complexidade do caso é a alegação de Joneuma de que Uldurico seria o pai de sua filha, nascida durante o período em que ela esteve presa. Embora Joneuma negue o relacionamento com Dada, ela segue pleiteando o reconhecimento da paternidade por parte do ex-deputado, afirmando possuir um exame de DNA que comprovaria o vínculo e está em posse de sua família.

A Defesa de Uldurico Júnior

Diante das graves acusações, a defesa de Uldurico Júnior se manifestou, classificando as alegações como “completamente infundadas” e afirmando que as provará. Os advogados do ex-deputado sugerem que as ações fazem parte de uma “clara perseguição política, em ano eleitoral”. A defesa também expressou surpresa com o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, mas garantiu que está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos, negando veementemente qualquer irregularidade.

Sobre a polêmica questão da suposta paternidade da filha de Joneuma, a defesa de Uldurico Júnior informou que não foi notificada sobre o laudo de DNA que estaria em posse da família da ex-diretora. Em contrapartida, solicitou a realização de um novo teste em um laboratório de confiança do político, buscando transparência e acurácia na apuração deste aspecto pessoal do caso.

Desdobramentos e Perspectivas da Investigação

A prisão de Uldurico Júnior e a Operação “Duas Rosas” marcam um ponto crucial na luta contra o crime organizado na Bahia, evidenciando a complexa teia de relações entre figuras políticas e grupos criminosos. As investigações continuam, e o desenrolar do processo promete trazer à tona mais detalhes sobre os envolvidos e a extensão dessa suposta aliança para a facilitação de fugas. A sociedade aguarda por respostas claras e pela devida responsabilização dos culpados, reforçando a importância da atuação do Ministério Público e da Polícia Federal na manutenção da ordem pública e da integridade das instituições.

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